Aluno de Direito ganha nota 10 em TCC com crítica a justiceiros sociais

Hozyres dos Santos está se formando bacharel em direito pela Universidade de Fortaleza. Sua monografia final, que tirou nota máxima, tem o título “Os Justiceiros Sociais: Problematizando os Problematizadores”, bem no estilo bem humorado de lidar com esses novos carolas característico aqui da AJS — à qual ele agradece, como se vê na foto, por ter inspirado o TCC.

Como mostra um jornalista de ciência do New York Times, há áreas acadêmicas em que se substituiu grande parte do trabalho acadêmico por ativismo. O problema não é de agora e nem é exclusivo do Brasil: este livro descreve, por exemplo, o caso de um eminente filósofo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que confessou ter passado dois anos inteiros de sua carreira recebendo para pesquisar mas não fazendo nada além de militância política.

Então, com certa frequência, é preciso coragem de quem está nessas áreas para enfrentar os consensos, dogmas e tabus de ativistas travestidos de acadêmicos. É o caso da coragem de Hozyres ao apresentar esse trabalho de conclusão de curso.

Previsivelmente, houve alguns atritos até a banca final ser formada. Especialmente por causa do conteúdo da monografia a partir do “terceiro capítulo, quando falei do teor sentimentalista em leis como a Maria da Penha e conceitos como o feminicídio”, disse Hozyres.

No entanto o foco no mérito acadêmico se manteve e o trabalho ganhou nota dez. “Agradeço à Págine (AJS)”, acrescentou o novo bacharel em direito. “Que este seja o primeiro de muitos trabalhos. Uma vitória nossa”. Uma vitória dele. Parabéns!

Atualização 11/06 — Confira os slides da defesa da monografia abaixo

Comentários da AJS aos slides

Slide 6: Esses termos passam por uma jargonização na academia, para o bem ou para o mal. “Moderno” por exemplo não é sinônimo de contemporâneo. Na arte, se referem a “moderno” o que aconteceu do fim do século XIX até mais ou menos os anos 1960 ou 1970. A arte-lixo que produzem hoje costumam chamar de “contemporânea”.

Eu nunca vi o termo “movimento pós-industrial” aplicado ao pós-modernismo. Acho confuso. E discordo da parte em que o Hozyres ressaltou “liberdade de expressão” como característica do pós-modernismo. Eles são bem intolerantes e têm normas sociais contra expressões que vão contra o dogma deles.

Slide 11: Tem aqui uma pegadinha semântica, também: os pós-modernos não acreditam em realidade, então acham que se pode criar qualquer coisa com a linguagem. Interpretam mal a filosofia da linguagem e acham que “tudo é texto” (nas palavras de um dos seus gurus). Daí podem alegar que meras palavras são violência, e portanto tentam justificar a censura com argumentos clássicos de limites da expressão dentro da incitação à violência. Tudo isso alterando a definição de violência. Pós-modernismo é um câncer semântico que não trata nenhum conceito com honestidade intelectual, e dobra o sentido de qualquer palavra a seus propósitos paradoxalmente absolutistas (o relativismo é fingido e é esquecido no campo da política, onde são autoritários).

Qualquer semelhança com Orwell não é mera coincidência.

Slide 12: Lembrando que esse lixo de página era mantida com nossos impostos no governo Dilma.

Slide 22: DJ Milla está em todas. (Re)veja nosso vídeo sobre ela aqui.

Slide 23: Se fosse aplicada ao pé da letra, os justiceiros sociais seriam os primeiros a ir pra cadeia.

Slide 24: O problema da Lei João Nery (projeto de Jean Wyllys e Erika Kokay) é que querem afastar totalmente o papel da comunidade médica de mediar o processo de transição. Isso significa pessoas confusas, geralmente com problemas mentais como o autismo, mudando de sexo sem necessidade e se arrependendo depois. Há vários casos já documentados.

Slide 25: Com certeza no sentido literal. Já há casos de suicídios causados por bullying justiceiro social.

O verbo “justiçar” era usado nos tempos do Gregório de Mattos como sinônimo de linchar.