O lugar do progresso não é na boca dos “progressistas”

“Movimentos sociais” não são responsáveis por mudanças positivas que avançam os direitos humanos. O que acontece é que surgem alguns poucos indivíduos influentes com argumentos irrefutáveis e casos emblemáticos de injustiça que servem para PERSUASÃO da opinião pública.

Foi assim na abolição da escravidão. Houve uma renascença de indivíduos persuasivos como Frederick Douglass nos EUA e Luís Gama no Brasil, e romances contando em detalhes a injustiça que é viver uma vida como escravo. Agitadores, justiceiros sociais, na verdade atrapalham.

Historiadores marxistas passaram o último século tentando dar uma versão cínica desses fatos históricos, reduzindo-os a interesses amorais num nascente mercado consumidor. Mas mercados nunca se resumem a consumidores. E não há vergonha nenhuma que os interesses morais corretos das pessoas tenham também uma dimensão econômica. Isso só significa que as pessoas passaram a querer prestar serviços e vender produtos sem olhar a quem, e Douglass, Gama e muitos outros as deram ótimos motivos para isso.

Quer exemplo mais recente? Melhor ainda, porque temos tudo documentado: a virada da opinião pública americana sobre os gays e o casamento gay levou menos de duas décadas. A ideia de que uma minoria vai “LUTAR” contra a maioria e vencer no grito e na política identitária é insana. Nada nessa retórica da extrema esquerda inclui o óbvio fator de que progresso algum, no sentido correto da palavra, aconteceria sem persuasão nesse campo.

Notem que isso tudo precisou acontecer em sociedades com uma crescente liberdade para indivíduos, que gera prosperidade e portanto tempo de tratar desses assuntos. Opinião pública não importa em países que reprimem as liberdades, como fizeram todas as ditaduras socialistas. Afinal, ditadores não dependem de votos, não precisam se importar com o que a massa está pensando, apenas com o que seus amigos que monopolizam o país estão pensando.

A pessoinha recém-“desconstruída” está lacrando nas redes sociais, enchendo o saco jogando Aristóteles no lixo achando que pode julgar um argumento pela identidade do argumentador, fazendo política identitária com retórica socialmente desagregadora? Ela não é parte desse time de bons argumentadores, bons romancistas e escritores, e demais pessoas que trabalharam por persuadir as pessoas comuns a fazer progresso moral nas sociedades, em vez de xingá-las de racistas, machistas, homofóbicas e declarar-se melhor que elas.

Tirem o progresso da boca dos “progressistas”.