A defesa da “justiça social” já virou uma religião e seu tratamento do humor é uma prova disso

As melhores teorias sobre humor são que ele surgiu do instinto da brincadeira comum a todos os mamíferos. A brincadeira é um comportamento que simula agressão, sem ser agressão. Quem tem gato e cachorro sabe que eles mordem de brincadeira, sem aplicar força máxima.

O humor seria uma forma abstrata disso. Algo similar acontece com o sentimento de desaprovação moral, que é também abstrato, mas evoluiu do nojo, ou seja, da adaptação de evitar coisas que nos causam doença e portanto morte. No humor, a gente morde psicologicamente sem machucar.

Fanáticos comprometidos com códigos morais fechados de natureza religiosa e/ou política são incapazes de ter essa visão nuançada do humor. Só vêem a parte agressiva, de humor como bullying, mas não vêem a parte de brincadeira e alívio de tensões sociais, que os anglófonos chamam de “banter”.

Não é acidente que justiceiros sociais não entendam “banter”, pois a sua ideologia é sexista contra tudo o que é masculino, e esse tipo de humor é mais associado a homens que a mulheres, homens usam mais para reforçar as suas amizades que as mulheres, aparentemente.

Como a “justiça social” é uma seita secular, também é pedir demais que entendam por que alguém que aprova a antiga pauta das sufragistas acha engraçado que um jogador de Red Dead Redemption 2 tenha feito um vídeo socando elas na cara. Porque sacralizam um símbolo, não a causa.

Então, não importa que você diga que aquilo ali não é realmente um homem socando uma sufragista, que na verdade são só polígonos gráficos orientados por algoritmos de animação. Não adianta tentar explicar que brincar com uma coisa pode ser sinal até de que você a vê como uma coisa séria, como fazemos em muitas piadas sobre a morte, as doenças, as dificuldades da vida. Porque o que está sendo observado *de fato* não importa diante da sacralidade do símbolo para uma religião.

Para muçulmanos, é pecado desenhar Maomé. Para católicos, é pecado comprar uma santa e quebrar. Para justiceiros sociais, se você rir das sufragistas apanhando no Red Dead Redemption 2, você está pecando contra elas e discorda da causa delas. Pois essas coisas são símbolos sagrados e dogmas religiosos, e é tanto assim que todos os três grupos são propensos a propor violações da liberdade de expressão para proteger os símbolos que eles, subjetivamente, consideram sagrados.

Mas no catolicismo, e talvez no islamismo também, você pelo menos pode ser perdoado. Não há perdão na religião da justiça social. É uma cultura de denuncismo sem nenhum freio moral, são tão equilibrados quanto os antigos perseguidores de bruxas.