Erros do #GregNews sobre o liberalismo

O programa do Gregório Duvivier na HBO Brasil fez uma “matéria” sobre liberalismo de 20 minutos. Está aqui.

A acusação do programa contra Amoêdo, o Novo e o MBL é uma com que muitos aqui concordam: ao esquartejarem o liberalismo e ficarem só com a parte econômica, esses supostos representantes do liberalismo não são realmente liberais, ao menos não por completo. Dizer-se “liberal na economia mas conservador nos costumes” não resolve certos problemas, como justificar as perdas econômicas e de arrecadação que tem a criminalização da maconha. De uma forma ou de outra, esse “conservadorismo nos costumes” acaba por afetar economicamente os cidadãos. Então, mesmo que se consiga fazer essa separação nas ideias, não quer dizer que ela existe na prática.

O programa, evidentemente, é enviesado em prol da esquerda. O apresentador se diz “vermelho” e fã de Lula. Fazem um breve resumo das origens do liberalismo, concordando com a parte da “igualdade de oportunidades”, e dizendo que sem ela não existe meritocracia. Uma nuance aqui é que a esquerda progressista ataca a meritocracia como uma ideia, e alega que sem igualdade de oportunidade perfeita não existe meritocracia nenhuma. O que é falso, e é uma desculpa para políticas perigosas como as cotas identitárias (raciais, por sexo, por sexualidade, etc). Até mesmo num ambiente com extremo desnível de pontos de partida pode haver meritocracia (imperfeita – e ela sempre é imperfeita). A razão disso é que, quando alguém tem um produto superlativamente bom, é difícil que seja ignorado por quem tem condições melhores. Daí, se você é um gênio da matemática que nasceu na Índia, não é tão difícil assim que você vá parar em Cambridge (como aconteceu com Ramanujan no começo do século XX). Interessa à esquerda exagerar os empecilhos à meritocracia porque assim fica mais fácil justificar políticas autoritárias a favor da igualdade – que pendem muito mais para a igualdade de resultados do que de oportunidades – pois sem elas supostamente não haveria esperança nenhuma para os pobres de melhorar de vida. Grupos inteiros, como os asiáticos nos Estados Unidos, provam que isso está errado.

Uma grande parte do programa foi dedicada a alegar que, se liberais não forem a favor de taxar grandes fortunas e especialmente heranças, então não são realmente liberais. Aqui há um elemento empírico, que é investigar se é verdade que as fortunas herdadas duram muito tempo. Há estudos recentes mostrando que nos EUA e no Reino Unido elas duram em média cerca de duas gerações, são gastas pelos descendentes do criador da fortuna e retornam à sociedade. Isso se reflete na quantidade de bilionários hoje que são bilionários como resultado do próprio trabalho, como Bill Gates e J. K. Rowling.

É incrível como a esquerda progressista, tão cética contra instituições tradicionais como a religião e a família, seja tão crédula a favor de políticos para que tomem ainda mais do bolso dos cidadãos. E tão crédula de que ricos arrochados por impostos ficarão no país gerando empregos por patriotismo.

“Pode falar o quanto quiser de ‘justiça social’. Mas o que os impostos sobre a morte [taxação de herança] significam no fim das contas é deixar que os políticos tirem dinheiro de viúvas e órfãos para pagar por bens que entregarão a outros para comprar votos e serem reeleitos. Isso não é justiça social ou qualquer outro tipo de justiça”.
– Thomas Sowell

Finalmente, um dos erros mais evidentes do programa, ao passar um clipe do “Mamãe Falei”, é que o sentido americano de “liberal” é o real sentido aceito pelos reais liberais por inteiro. Não preciso nem corrigir isso, todo mundo aqui sabe que isso é falso e que os americanos são uma aberração no uso desse termo, que por lá só significa “esquerdista” independente de qualquer compromisso com liberdades. Isso só mostra o quanto foi pobre a pesquisa do programa, que tenta atenuar com humor sua preguiça de ser mais crítico com a esquerda antiliberal.