Esquerda versus Direita

Um dos problemas básicos dos conservadores foi ilustrado por um industrialista septuagenário que reclamava amargamente sobre um senador de esquerda de seu estado – um senador que quase com certeza seria reeleito.

“Se eu fosse vinte anos mais jovem”, disse o industrialista conservador, “eu mesmo seria candidato contra ele!”

Talvez. Mas houve um tempo em que ele era 20 anos mais jovem – e ele não se candidatou contra esquerdista nenhum na época.

Quando pessoas jovens inteligentes estão escolhendo carreira, aquelas que acreditam na economia de livre mercado com frequência escolhem carreiras nessa economia. As que se opõem a tal economia são mais propensas a se tornarem intelectuais, políticos, advogados ou parte de vários movimentos de esquerda ou radicais.

Para as batalhas intelectuais e políticas, as cartas estão marcadas, tanto quantitativa quanto qualitativamente. A esquerda política manda seu time de série A para a batalha contra o time de série B de seus críticos, cujo time de série A está no mercado.

O rumo histórico para a esquerda no mundo ocidental através das gerações reflete em boa parte esse desequilíbrio no mundo das ideias, em vez de um sucesso da política de esquerda quando de fato posta em prática. Tais políticas têm um histórico de desastre econômico ao redor do mundo, especialmente em países comunistas, mas são um sucesso estrondoso politicamente em manter o apoio dos intelectuais da academia e da mídia.

Tudo o que impediu a vitória total e conclusiva da esquerda política foram as deserções de suas próprias fileiras – pessoas que foram seguindo os fatos e ficaram fartas do que estavam vendo. A maioria das principais figuras que se opõem aos liberais e esquerdistas nos Estados Unidos são ex-liberais e ex-esquerdistas.

Ronald Reagan e Milton Friedman foram ambos de esquerda em algum tempo. Quando membro do grupo liberal de esquerda Americanos pela Ação Democrática, Reagan chamava Barry Goldwater de “fascista”. Friedman ajudou a rascunhar parte da legislação do New Deal que agora ele ataca ferozmente.

Irving Kristol, o padrinho do neoconservadorismo, já foi marxista. Outros líderes neoconservadores como Nathan Glazer e Norman Podhoretz já foram apoiadores proeminentes de causas de esquerda.

Entre os negros hoje considerados “conservadores”, praticamente todos já foram liberais ou esquerdistas. Glenn Loury, professor de Harvard que criticou os programas de tratamento preferencial nos últimos anos, estava defendendo tais programas antes, nesta década. Walter Williams era um radical tão vociferante que, quando servia como um jovem recruta no exército americano, que foi condenado por corte marcial.

Esse padrão de jovens esquerdistas e radicais voltando-se contra essas doutrinas quando amadurecem não é confinado aos Estados Unidos ou à nossa era. Pode simplesmente refletir o fato de que o argumento da esquerda política parece mais plausível na superfície mas que é mais difícil continuar acreditando nele quando se adquire experiência.

Tantos conservadores de meia idade são antigos jovens de esquerda e radicais que muitos deles têm dificuldade de entender jovens conservadores, libertários e outros oponentes jovens da esquerda. Sua suspeição pode ser baseada num velho clichê: “Se você não é um radical aos 20 anos, não tem coração – e se você ainda é radical aos 40, não tem cérebro”.

Mas alguns dos jovens libertários e conservadores que já vi não parecem sem coração. Muitos têm profunda preocupação com as consequências sociais trágicas dos programas grandiloquentes da esquerda. Alguns dos pensamentos e textos das mais alta qualidade entre universitários hoje se encontra em jornais universitários como o Harvard Salient, o California Review e outros jornais estudantis que enfrentam o esquerdismo dominante nos jornais estudantis “oficiais” e entre os professores.

Esses jovens não têm escolha a não ser pensar, porque não conseguem só repetir em gritos de guerra frases feitas sobre a “justiça social”, “despojamento” e “paz mundial”, como faz a esquerda política.

A esquerda não precisa pensar no campus, só entoar e fazer manifestações e se sentir moralmente superior. Podem vencer pela intimidação no campus, dado o favoritismo dos professores e a elasticidade da administração. Como resultado, estão se tornando a série B da intelectualidade.

25 de setembro de 1986.